Dessalinização de água

Dessalinização de água

Você provavelmente já pensou na possibilidade de usar água do mar para beber, certo? Afinal, se fosse possível convertê-la em água potável, a quantidade seria mais do que suficiente para levar água ao mundo todo, mas será que esse processo é viável de fato?

Primeiramente, é necessário pontuar que a quantia de água em si não é o problema, visto que pelo ciclo de água, ela não se consome consideravelmente, logo, a questão principal é o processo de torná-la potável e de distribuí-la, diante disso, será que a dessalinização é um processo eficaz para essa problemática que a humanidade tenta resolver a tanto tempo?

De início, vale ressaltar que há 2 processos principais para efetuar a dessalinização da água marinha:

Osmose Reversa e Destilação Térmica

  • Destilação Térmica

Consiste num processo em que a água do mar é aquecida até que as moléculas de água evaporem enquanto o sais e outros componentes nela contidos não as acompanham, consolidando um processo de separação que é seguido por uma condensação do vapor de água. Além do fato de haver muita água possível de passar por esse processo, esse meio também é capaz de lidar com uma água marinha de alta concentração de sais, e ainda assim produzir um produto potável e límpido. E ainda vale ressaltar que esse método auxilia países que fazem fronteira com o mar mas não possuem fontes hídricas de água doce, por conta de um clima completamente desfavorável, devido a conflitos e dificuldades financeiras. No entanto, esse procedimento precisa de uma vasta quantia de energia, a qual se não for produzida de forma renovável, acarreta com um agravamento do aquecimento global por meio da emissão de gases do efeito estufa. Além de produzir um subproduto chamado de salmoura que consiste numa solução mais concentrada de sais e que se não for descartada corretamente agrava em muitos impactos ao meio ambiente, principalmente na possibilidade de descarte em cadeias marítimas, por conta da potencialização de zonas mortas (áreas do mar em que animais e plantas têm muita dificuldade em sobreviver) por meio da diminuição do oxigênio disponível. Isso sem considerar o manejo de produtos químicos excedentes do processo que precisam ser lidados corretamente.


  • Osmose Reversa

Representa um processo em que a água marinha é submetida a uma alta pressão através de uma membrana semipermeável que retém grande parte dos sais e outros componentes da solução, enquanto as moléculas de água passam, assim consolidando um procedimento que não exige tantas mudanças físicas quanto o anterior. Por conta disso, o consumo de eletricidade diminui um pouco, no entanto ele ainda é muito grande, mas ainda grande parte das adversidades se mantém como o manejo do subproduto salmoura, a necessidade de cuidar quanto ao descarte dela visando não prejudicar principalmente as cadeias marítimas, os impactos da produção da energia utilizada no processo, principalmente na possibilidade de virem de fontes não renováveis, além disso, também é necessário atentar-se quanto ao uso de produtos químicos industriais, tanto no pré tratamento quanto na limpeza das membranas.

Países Aderentes aos Procedimentos

Alguns dos países que mais utilizam o processo de destilação térmica são os Emirados Árabes, a Arábia Saudita e o Kuwait.
Quanto à osmose reversa, alguns se mantêm como os Emirados Árabes, a Arábia Saudita, no entanto Israel se destaca como outro país que depende consideravelmente desse método.

É interessante observar que são países com certas características em comum, como a localização em lugares de clima árido, de escassez hídrica, mas em compensação, uma abundância de petróleo considerável, dessa forma, eles se tornam capazes de viabilizar uma produção massiva de energia, recurso muitíssimo importante para a manutenção de uma grande escala de produção de água potável em ambos os processos.

Contudo, vale ressaltar que essa dependência do petróleo para viabilizar os procedimentos de dessalinização são preocupantes no sentido ambiental, visto que o petróleo libera grandes quantias de carbono na atmosfera, esse que se fosse para retornar a forma desse óleo, demoraria milhões de anos, logo tornando inviável essa troca.

Uma forma de tornar mais sustentável o procedimento e trabalhar com energia de fontes mais renováveis como a eólica, solar e biocombustível limpo, nesse sentido, vale ressaltar que o processo de destilação térmica permite o reaproveitamento do vapor quente para turbinas, assim englobando uma forma de produção de energia no procedimento, o que o torna mais eficiente por meio da introdução de uma usina termelétrica.

Afinal, vale a pena dessalinizar a água do mar?

A resposta é: depende! A dessalinização pode ser uma solução importante para regiões que sofrem com a escassez de água doce, mas sua viabilidade depende dos custos, da energia disponível e dos cuidados ambientais envolvidos.

Entre os métodos apresentados, a osmose reversa costuma se destacar pela eficiência energética, enquanto a destilação térmica continua sendo utilizada em determinadas condições. Em ambos os casos, é fundamental controlar os impactos da produção de energia e dar a destinação adequada à salmoura gerada durante o processo.

Assim, a dessalinização não resolve sozinha todos os problemas de abastecimento, mas pode complementar outras estratégias de gestão dos recursos hídricos. Quando planejada de forma adequada, ela permite aproveitar uma fonte abundante de água e ampliar as alternativas de abastecimento para regiões que mais precisam.

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